sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Marcha pela Liberdade e o fracasso do liberalismo



Lembram daquela marcha até Brasília que o Movimento Brasil Livre, “liderado” pelo Mao Tsé Tung da direita, o Luis Carlos Prestes às avessas, Kim Kataguiri? Aquele mesmo, que se vangloriou de ter colocado mais de 1 milhão de pessoas na rua (de acordo com a contagem isenta da PM paulista)? Sim, aquele que respondeu ao convite para uma entrevista enviando a foto de uma bunda? Pois é, o que nem parecia que ocorreu já acabou também, nesta última quarta-feira, dia 27 de maio, reunindo 300 míseras pessoas, quando se pensava em juntar 30 mil.

A famigerada “Marcha Pela Liberdade” – como eles chamaram – para pedir o impeachment de Dilma Rousseff, se fosse digna de ser lembrada na história, seria pelo menos conhecida como a Marcha do Fracasso. Já não bastasse o mico de inventar uma marcha apoiada por alguns carros e ônibus (porque é muito fácil caminhar alguns quilômetros por dia quando você pode mais tarde descansar os pezinhos dentro do ônibus, sem dormir no relento). O que será que esperavam, que pessoas do país inteiro se juntassem a eles? Oras, eles até tinham apoio de uma parcela da população, mas é aquela que vive se vangloriando em relação aos movimentos de esquerda de que ela trabalha e, portanto, não tem tempo para essas vagabundagens. Afinal, só vagabundo para poder ficar marchando por mais de um mês, recebendo financiamento sei lá de onde e... ops. Por um momento, pensei estar falando de militantes de esquerda.

A marcha teve ainda um episódio triste, um acidente que feriu Kim e outra ativista que ali estava. Menos mal que ninguém se feriu gravemente. Mas até um acidente se torna mico quando o mascote mirim dos liberais precisa ser socorrido pelo SAMU, do serviço público de saúde. O Estado, aquele velho e grande Estado que os liberais tanto detestam, mas para o qual sempre pedem socorro quando estão em apuros. Sempre. E para piorar – ou colocar a cereja no bolo – o pobre rapaz apenas sofreu o acidente por causa de um motorista bêbado. Isso depois que a página do Instituto Mises publica um texto defendendo o direito de dirigir alcoolizado, contra a intervenção do Estado. Ahh, esse Estado maldito que não permite que os outros saiam por aí dirigindo bêbados. O jovem defensor do “Menos Marx, mais Mises” deveria ser coerente e lembrar, então, que o motorista estava em seu direito. Afinal, estrada não é lugar para vagabundo ficar andando mesmo, não é?

No fim, a realidade é que o fracasso desta marcha simboliza o fracasso do liberalismo como ideologia. Kim diz ter conseguido reunir mais de 1 milhão de pessoas na Paulista. Dirão que foi mérito seu, fruto do seu próprio esforço. Quis ir mais longe e organizar uma grande marcha. Não faltou atenção da mídia, nem mesmo apoio à ideia que ele defendia. De acordo com o Datafolha, 63% dos brasileiros defendem a abertura do processo de impeachment. Assim, se não faltou publicidade nem um produto atraente, o fracasso retumbante só pode ter sido por falta de esforço. Devia ter andado mais pelo país, usado menos o ônibus. Então se esforce mais da próxima vez, Kim. Mas se algo der errado, não se preocupe, pois o Estado estará lá de novo para te resgatar. Ah, e pra dizer que não ganhou nada, tirou uma foto com a nata da direita conservadora e tudo que há de mais podre na política brasileira. Que fique de souvenir ou (má) recordação.