terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Dilema de Serpentário: o 13° Signo

Recentemente, astrônomos do Planetário de Minnesota reacenderam a briga com a Astrologia. De acordo com o astrônomo Parke Kunkle, o Zodíaco ocidental estaria faltando um signo: o de Serpentário, e que, além disso, devido ao movimento contínuo da Terra e do Sol, este estaria hoje posicionado sobre cada constelação em datas diferentes do estabelecido pela Astrologia há quase 3 mil anos. Ou seja, meu signo, por exemplo, que é de Capricórnio, seria na verdade de Sagitário.

Teremos que mudar de signo então? Para os astrólogos, não necessariamente. A notícia que percorreu o mundo suscitando discussão e dúvidas é, na realidade, apenas mais um episódio da velha guerra entre Astronomia e Astrologia, na qual alguns setores da primeira (junto à mídia) tentam colocar a segunda em descrédito. Assim como o embate entre ciência e religião, o confronto não rende muitos frutos, mexe com a crença e a fé dos outros. A diferença nessa história, contudo, é que ela não é novidade, embora esteja sendo tratada como se fosse a "bomba" que poderia estremecer os pilares da Astrologia.

O fato é que, há muitos anos, a Astronomia já alertava sobre o posicionamento das constelações ser diferente do preconizado pela Astrologia. Esta, por outro lado, também já sabia há muito tempo da existência da constelação de "Ophiuchus", ou melhor, Serpentário. Sua ausência no Zodíaco, entretanto, teria justificativa. Na Astrologia Ocidental, o ciclo zodiacal cobre uma faixa de 360°, dividida em 12 partes, 12 signos, cada um com 30°. A adição de um 13° signo complicaria essa divisão, ainda mais porque, de acordo com os astrólogos, o Sol teria, na transição entre Escorpião e Sagitário, uma curta e pouco significante passagem pela constelação da serpente, o que, por fim, justificou sua exclusão do zodíaco (vale ressaltar que astrônomos discordam: o Sol teria uma curta passagem por Escorpião, e não Serpentário).

De qualquer forma, não é preciso ser astrólogo ou astrônomo para saber que a Astrologia trabalha com símbolos, fato solenemente ignorado ou esquecido por seus críticos. Os signos do Zodíaco são exatamente isso: "signos", símbolos, arquétipos da personalidade humana. Os astrólogos rejeitam a ideia de mudança no Zodíaco justamente porque trata de símbolos tradicionais, não uma transcrição do posicionamento exato das constelações. Como paralelo, os cristãos celebram o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro, mesmo sem provas substanciais de que este seja o dia correto. O importante é o que representa, não o rigor histórico ou científico. Se descobrissem hoje que Jesus nasceu em outro dia, será que as pessoas deixariam de celebrar o Natal na data "errada"?

As críticas, ainda assim, recaem sobre a parte rasa da Astrologia. Os cálculos de mapas astrais, por astrólogos competentes, levam em conta o real posicionamento dos astros, só posteriormente sendo transpostos nos signos tradicionais. Muito diferente de horóscopos, que foram e sempre serão uma superstição: prever como será cada dia de 1/12 da população mundial, aproximadamente 500 milhões de habitantes, foge de qualquer princípio de razoabilidade.

No fim, Astronomia e Astrologia, embora tenham as mesmas origens, continuarão brigando entre si, apesar dos raros chamados por cooperação. Para os astrólogos, independente do que digam os astrônomos, as chances de mudanças no Zodíaco são ínfimas. Portanto, se você acha que vai ter que repensar toda sua personalidade por uma eventual mudança de signo, não há o que se preocupar. Só nascendo de novo mesmo.

PS: Fãs de Cavaleiros do Zodíaco como eu: o criador da série, Masami Kurumada, sabia muito bem da existência da Constelação de Ophiuchus, tanto que seu cavaleiro, ou melhor, amazona, aparece na série. Havia planos para uma possível 13ª casa do Zodíaco e sua armadura de ouro, mas temiam que outra mulher forte tiraria o foco sobre Saori, ou Atena. Já adivinharam quem seria?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Presidenta Dilma

O blog entrou em longas férias, verdade, mas não morreu não. O ano inicia-se com uma nova Presidente, Dilma Rousseff, eleita com 56,05% dos votos. Esperava-se que fosse ganhar no 1º turno, mas como previsto aqui muito antes das eleições, o 2º turno ocorreu mais por mérito de Marina Silva do que de José Serra. Este, enfim, perdeu-se no meio de suas artimanhas e mentiras, não conseguindo virar o jogo.

Desde então, Dilma foi recebida bem pela população e pela mídia, inclusive pelos setores contra sua candidatura. Por um lado, boa parte dos que não votaram na Presidente querem o melhor para o país, apenas não acharam a princípio que ela seria a melhor candidata. Por outro, a mídia parece demonstrar mais respeito pela Presidente do que na campanha. Primeiro, talvez, por ser uma mulher, a primeira Presidenta; segundo, por ser uma pessoa mais "estudada", de origem mais "nobre" que a de Lula. As críticas a seu antecessor não cessaram, e o estilo de Dilma, mais sério e altivo, tem sido aclamado, como se agisse em oposição ao governo anterior.

Resta saber por quanto tempo vai durar a lua-de-mel da Presidente com a população e a mídia. É uma grande evolução a mídia tratá-la com mais respeito, um avanço para a nossa democracia, e os brasileiros continuarão satisfeitos enquanto a economia andar bem. Seu primeiro desafio, as enchentes no Rio, foi tratado com seriedade, e sua presença súbita nas áreas devastadas foi bem recebida, evitando o erro que Bush cometeu com o Katrina em New Orleans.

De qualquer forma, o que vai importar no final é a economia. Há previsões boas para a economia brasileira, mas a inflação subiu, o crédito diminuiu e há enormes desafios para a infraestrutura: a Copa de 2014 se aproxima e será um teste de fogo. Além disso, a economia mundial vai mal, com risco de piorar.

Como será então o governo Dilma? Só nos resta acompanhar.