terça-feira, 28 de setembro de 2010

Reta Final da Campanha

Faltando menos de uma semana para as eleições, a disputa para a Presidência se acirra. Paira no ar a dúvida se haverá vitória de Dilma no 1º turno ou se ela e Serra disputarão um 2º turno. Tudo indica que o resultado, independente de qual seja, será por uma pequena margem. Vejamos, portanto, como andam as campanhas dos candidatos.

Serra já fez de tudo até agora. Primeiro, colocou-se como candidato do povo, tornando-se o "Zé Serra", sucessor legítimo de Lula, com direito a imagens do presidente em seu programa de TV. Como previsto antes aqui no blog, não funcionou. Ainda evitando atacar Lula, preferiu partir pro ataque a Dilma. Começou explorando a quebra de sigilo dos dados de sua filha; porém, como também previsto aqui, não funcionou mais uma vez. Veio então a denúncia da revista Veja sobre o tráfico de influência cometido pelo ex-braço direito e sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra. O ataque teve efeito, e com a queda de Erenice, Serra furou a blindagem de Dilma, mas pouco. Percebendo que os ataques não funcionariam, o tucano mudou de tom mais uma vez, e desta vez até que acertou. Se não era possível provar que Dilma era ruim, tentou mostrar que ele é bom. Serra virou o candidato "do bem", evocando experiência, competência e patriotismo na tentativa de compensar a falta de carisma. Resta saber até onde vai funcionar esta nova estratégia, que pelo menos rendeu a recuperação de alguns pontinhos nas pesquisas.

A campanha de Dilma, por outro lado, continuou insistindo no apoio de Lula e no sucesso de seu governo com vídeos cinematográficos, dignos de Hollywood. Parece, no entanto, que esta estratégia saturou o eleitor. Por não apresentar mais nada de novo, alguns eleitores da petista começaram a olhar pro outro lado. Além disso, Dilma também falhou em se defender de forma mais clara dos ataques de Serra, deixando a Lula o trabalho de dizer que a oposição fazia uma campanha suja. Ignorar os ataques e deixar aos outros o trabalho de respondê-los provou-se um erro. Assim como Mercadante percebeu que apenas se defender de Alckmin não funcionava, Dilma deveria ter explorado as fraquezas de seu adversário, o que não fez. Isso, e a falta de carisma demonstrada nos debates, apesar de melhores respostas que seu oponente tucano, têm desgastado sua liderança nas pesquisas e colocado em risco sua vitória no 1º turno.

Nesse embate azul e vermelho, é a verde que tem mais se beneficiado. Marina tem subido sistematicamente nas pesquisas, ponto a ponto, destacando-se nos debates enquanto Dilma e Serra duelam entre si. Apesar do tempo diminuto nos programas de TV, Marina apresentou sua história de vida e explorou o apoio de artistas e personalidades famosos à sua campanha. Buscando mostrar-se como alternativa, a estratégia tem funcionado, roubando votos principalmente de Dilma. Com pouco tempo para 3 de outubro, contudo, a candidata do PV dificilmente terá tempo suficiente para subir o bastante e alcançar o 2º lugar. Ademais, Marina tem conquistado as classes alta e média, mas tem dificuldade de angariar votos dos mais pobres, que carecem de um conhecimento profundo do que ela já fez ou defende. A falta de clareza nas suas propostas para outras áreas além do meio ambiente também desestimula eleitores que buscam uma alternativa.

Por fim, para o governo do Estado, há pesquisas que indicam o desgaste de Alckmin com ascensão de Mercadante, o que pode também levar a disputa ao 2º turno. Agora tudo depende desta última semana e o tom que cada candidato vai adotar em seus respectivos programas de rádio e TV, além do debate na Rede Globo, o mais importante. Resta acompanhar o que promete ser uma semana bem movimentada.

domingo, 19 de setembro de 2010

Por que Alckmin e 20 anos de PSDB são ruins pra São Paulo

No fim deste ano, o PSDB completará 16 anos no poder em São Paulo. Se Geraldo Alckmin for eleito, São Paulo completará 2 décadas sob o domínio do PSDB, praticamente o mesmo tempo que o Brasil viveu sob a ditadura militar. Será possível que isso é bom?

Antes de tudo, é importante saber quem é Alckmin. E, falando em ditadura, é interessante saber o que cada candidato ou político fez neste período histórico. Lula, como se sabe, era líder sindical; Dilma era membro de organizações da luta armada; Serra foi exilado; e Mercadante foi líder estudantil e militante pela causa democrática junto a pastorais. E Alckmin? Bem, em seus pronunciamentos, Alckmin se gaba de ter sido um dos vereadores mais jovens do país, aos 19 anos, e depois prefeito aos 23, em sua cidade natal de Pindamonhangaba. Isso ocorreu em 1972 e 1976, ou seja: enquanto os outros estavam na luta contra a ditadura, Alckmin quis ser político.

Tudo bem, podem dizer, mas ele se candidatou pelo MDB, partido de oposição ao regime militar, e não pelo ARENA. Ele poderia ter lutado contra a ditadura por dentro, do seu modo. A realidade, contudo, é bem diferente. Alckmin nunca levantou a bandeira de democratização; pelo contrário, elogiou publicamente o presidente Médici, o maior carrasco do regime. Não era à toa: seu pai era militante da UDN, o partido conservador da elite nacional antes do golpe de 1964; seu tio foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal pela ditadura; e pra terminar, seu tio-avô foi ninguém menos que o vice-presidente do general golpista, o presidente Castelo Branco. Com uma família tão poderosa, há de se entender a facilidade de Geraldo Alckmin para subir rapidamente na política.

Independente disso, sua aparência e postura sóbria, ainda que sem sal, faz crer que Alckmin é sério, honesto. Um de seus primeiros atos como prefeito, no entanto, foi nomear seu pai como chefe de gabinete. Como governador, tratou movimentos sociais, sindicatos e greves com desdém. Nada de diálogo, apenas repressão. Também sucateou a Febem, que virou uma escola do crime, deixando milhares de menores em condições subumanas. Ao todo, 23 adolescentes foram mortos dentro da instituição, o que rendeu uma condenação formal da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao governo tucano por grave desrespeito aos direitos humanos.

Posando de “paladino da ética”, Alckmin também deu um péssimo exemplo. Ao todo, ele impediu, junto a seus aliados na Assembleia Legislativa, a formação de 69 CPIs, das quais 37 eram pra investigar irregularidades, fraudes e corrupção em seu governo, sendo o caso mais notório o da empresa francesa Alstom.

A Alstom é uma fabricante francesa de equipamentos de infra-estrutura nas áreas de energia e transporte; a mesma que construiu os trens do metrô de São Paulo. A justiça suíça denunciou ao Ministério Público francês que a Alstom havia movimentado milhões de dólares para propina em países como Venezuela, Indonésia e Brasil. O MP francês alertou que as propinas seriam da ordem de US$ 6 milhões no Brasil, enquanto a justiça suíça acredita que seja o dobro, tudo para obter contratos com o Metrô e a CPTM em São Paulo. Desta forma, a Alstom “ganhou” a licitação de todos os contratos durante a gestão tucana. Pior, durante a gestão de Alckmin, o governo do estado comprou 12 trens da Alstom, sem licitação, no valor de US$ 223,5 milhões, em um contrato que o Tribunal de Contas do Estado julgou irregular.

A ligação entre o PSDB e a Alstom foi tão forte que o dinheiro usado em propina foi utilizado para caixa de campanha. As doações, entretanto, foram justificadas como dinheiro pago para convites de um jantar de campanha. Naturalmente, o governo tucano impediu a abertura de uma CPI que investigasse o caso, e ainda hoje, o Ministério Público Federal continua suas investigações com base nos documentos suíços. Enquanto isso, Alckmin, ao mesmo tempo que se diz contra a CPI por falta de “fato concreto”, argumenta que o que ocorre na Assembleia Legislativa, o impedimento da abertura de CPIs, não lhe diz respeito, pois o Legislativo e Executivo são poderes diferentes e independentes. Argumento fraco, pois a base do governo se encontra no Legislativo.

Muitos não sabem sobre esses casos. Se são graves, por que poucos sabem sobre isso? A imprensa paulista em geral blinda o governo tucano: Rede Globo, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, ou seja, os grandes veículos de comunicação nacionais estão ao seu lado. A revista Veja é o caso mais alegórico, que dispensa apresentação. O elo é tão forte que a Secretaria do Estado de São Paulo fez compra de mais de 5.000 assinaturas da Veja para a revista ser distribuída na rede de ensino público do estado. Tudo, é claro, sem licitação. O mesmo foi feito com outras revistas e jornais que apoiam de alguma forma o governo tucano. Ao todo, foram R$ 9 milhões gastos nessas compras, todas sem licitação, e em geral nos meses de Maio/Junho de 2010, período próximo ao início oficial das campanhas.

Com apoio maciço da mídia, cria-se um ambiente estável, com a crença de que está tudo bem. Comparado ao resto do país, muitos setores estão, de fato, à frente, o que é esperado do estado mais rico da Federação, detentor de 1/3 do PIB nacional. Em outros, nem tanto. A educação é o maior exemplo.

Com a Progressão Continuada, idealizada por Paulo Freire, o aluno é empurrado para a frente mesmo sem ter aprendido. Assim, diminuem-se os números de evasão escolar e de reprovações, o que mascara a realidade. O que Paulo Freire previa era não punir o aluno com a reprovação, mas ajudá-lo com uma educação de qualidade, professores bem preparados, aulas especiais de reforço, etc. Sem tudo isso, torna-se apenas uma aprovação automática, que é o sistema vigente e o mesmo que FHC fez para melhorar os números da educação no Brasil. Pra piorar, o governo do PSDB instituiu um bônus para escolas e professores do estado com os melhores resultados. Parece bom, mas na prática, os professores criam trabalhos e atividades extras com o mero intuito dos alunos ganharem pontos de outros formas e passarem com uma boa nota, compensando o resultado pífio das provas. Ou seja, mais uma vez se esconde a realidade.

O transporte público também evoluiu pouco, enquanto o trânsito só piora. O governo se gaba de expandir o metrô, mas muito pouco foi feito nos últimos 16 anos. O metrô da Cidade do México foi iniciado na mesma época que o metrô de São Paulo, e hoje, tem em volta de 200km em linhas, ao custo de menos de R$ 0,50 por passagem. O de São Paulo, todavia, tem apenas 69km, enquanto o preço de um bilhete é R$ 2,65. Os recentes projetos de expansão apenas surgiram sob pressão, já que o tráfego da metrópole está saturado e porque é necessário melhorar a infra-estrutura para a Copa do Mundo no Brasil.

Pior do que isso é a questão do pedágio. Atualmente, a população de São Paulo paga o pedágio mais caro do Brasil e um dos mais caros do mundo, tudo feito sob o esquema de concessão de rodovias. O lucro das concessionárias é tão grande que é maior que a rentabilidade dos bancos no Brasil. São estradas construídas com dinheiro público e depois entregues ao cuidado de companhias que abusam do cidadão para lucrar.

O pior é que o preço do pedágio é repassado a diversos produtos que consumimos diariamente, devido ao custo de transporte. Ou seja, produtos simples da cesta básica ficam mais caros em razão dos altos preços do pedágio no estado de São Paulo. Tudo por um modelo de gestão do PSDB, espelhado nas privatizações de FHC e repetidas no estado por Mário Covas. E de privatizações Alckmin entende bem: ele foi o coordenador do Programa Estadual de Desestatização do governo Covas.

Muito mais pode ser explorado nos 16 anos de governo tucano em São Paulo. O que importa, no final, é a necessidade de mudança. Quem não conhecia bem Alckmin, agora conhece. Quem não sabia das falcatruas do PSDB no estado, agora sabe. Resta à sabedoria do povo querer mudar e arriscar algo novo, diferente, que tire o estado das mãos de poucos para colocar nas mãos de todos. Neste 3 de outubro, não anule seu voto: vote em qualquer candidato diferente; menos Alckmin. É preciso mudar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Continuação ou Mudança: O Efeito Lula

Com Dilma disparada nas pesquisas, pouco se pode creditar a sua bem produzida campanha ou às trapalhadas de seu adversário. O grande “culpado” é, indubitavelmente, Lula. Muito já se questionou sobre o poder do presidente de transferir sua popularidade para votos em seus candidatos. Houve, de fato, esta transferência, em razão da confiança que as pessoas têm no presidente, mas ela tem limites: Lula tem aproximadamente 80% de aprovação, mas Dilma tem “apenas” pouco mais de 50% nas pesquisas. Por outro lado, Mercadante, seu candidato ao governo do estado de São Paulo, não engrenou sua candidatura, e está em volta dos 20%. Não se deve considerar esta diferença o mérito de um e o demérito de outro: a explicação se encontra na natureza humana.

A força motriz do ser humano é o seu instinto de sobrevivência. Tudo que fazemos é para garantir ou melhorar as chances de sobreviver. E uma vez conquistadas as condições para isso, busca-se uma forma de assegurar sua manutenção em prol de segurança e estabilidade. Por consequência, o ser humano é geralmente adverso a mudanças bruscas no seu estilo de vida por medo de como elas podem afetar as condições às quais está habituado e sob as quais vive de modo satisfatório.

Naturalmente, as pessoas são muito diferentes umas das outras, e algumas estão mais propensas a encarar mudanças frequentes do que outras. Além disso, o que é bom para um não é necessariamente bom para outro, cada indivíduo possui suas necessidades e anseios particulares. Porém, quando o ser humano encontra-se em uma situação que considera desconfortável ou prevê uma que seja claramente melhor, considera então a ideia de mudar. Em seu raciocínio, pesará os prós, que são as condições que proporcionam um maior nível de satisfação; e os contras, que incluem o dispêndio necessário para se adaptar às novas circunstâncias. Sendo os prós maiores do que os contras, inicia-se o processo de mudança.

Nas eleições, este processo fica muito claro. Dilma está na frente porque o povo quer que as coisas continuem como estão. Há um nível de satisfação muito elevado em relação ao governo Lula, e o presidente conseguiu convencer a população, ou boa parte dela, de que sua candidata significa a continuidade do que já foi feito. Por isso a dificuldade de Serra de ser uma alternativa plausível, pois a população não quer mudança, como quis em 2002. Muito menos pode ele assegurar um processo de continuidade, já que é o candidato da oposição e sua imagem sempre será remetida ao governo de FHC, amplamente rejeitado pela opinião pública. O anseio político do momento é melhor expresso pelo slogan da campanha de Dilma, uma frase paradoxal que captou perfeitamente o sentimento do povo brasileiro em 2002 com o de agora: “Para o Brasil seguir mudando”.

O mesmo ocorre no estado de São Paulo. O mais rico da Federação, concentrando aproximadamente 1/3 do PIB nacional, São Paulo está sob o governo do PSDB há 16 anos, rumo a mais 4. Comparado ao resto do país, a situação no estado é visivelmente melhor, e colhendo os frutos desta diferença, o partido tucano conseguiu manter-se no poder por todo este tempo. Alckmin, por já ser conhecido pelo seu tempo como governador, tem facilidade em conquistar votos, porque as pessoas ficam mais tranquilas em saber o que esperar. Apesar da popularidade de Lula, e até de Dilma estar na frente de Serra no estado onde era governador, Mercadante tem dificuldades para subir nas pesquisas, porque não há um anseio por mudança, há uma relutância da população em mudar para algo que não conhecem, principalmente se no presente as coisas funcionam, mesmo que não da forma ideal.

Sabe-se, contudo, que a relutância em mudar gera o comodismo, o que bloqueia a perspectiva de melhoras. Na política, isso é mais evidente e pernicioso. A permanência de um mesmo grupo no poder por muito tempo pode ser extremamente nocivo, pois gera raízes, que buscam consolidar-se cada vez mais fundo na terra, sugando cada vez mais os seus recursos; e galhos, que se espalham e se expandem por cada vez mais áreas e setores, principalmente onde não pertencem. Este seria o caso do PSDB em São Paulo. Por que é ruim manter os tucanos no estado por mais 4 anos será analisado melhor em breve aqui no blog.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O surto golpista de Serra

Faltando um mês pras eleições, com Dilma em eterna ascensão e Serra em eterna queda, surge um novo factóide: a quebra de sigilo dos dados fiscais de Veronica Serra, filha do candidato tucano. Essa história facilmente lembra o que ocorreu com o caseiro Francenildo, o que derrubou Antonio Palocci do Ministério da Fazenda; e, para quem tem boa memória, o que Collor fez nas históricas eleições de 1989 ao atacar Lula também por meio de uma de suas filhas.

Relatos mais recentes indicam que a tal quebra de sigilo ocorreu em setembro de 2009, muito antes do início da campanha. Pode ter partido de algum aloprado do PT, é verdade. Mas nem Lula nem Dilma seriam tão irresponsáveis a este ponto, colocando em risco uma vitória que mesmo antes da campanha era provável. Isso não impediu, no entanto, a leviandade da campanha de Serra de acusar Dilma de ter ordenado o ato, e da candidata ser “uma ameaça à democracia”, palavras do presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Retorna, assim, o foco negativo das campanhas eleitorais: tão presente no passado, e ausente neste ano. Até então.

Serra acusou Dilma de fazer o mesmo que Collor fez com Lula em 1989. Só que, mais uma vez para quem lembra, Collor, para ser eleito, aproveitou-se do temor das classes média e alta em relação a Lula. Inclusive, falando em Collor, o início da ofensiva tucana teve como foco os aliados da candidata petista, como Dirceu, Sarney, Collor, etc, que poderiam voltar ao governo com sua eleição. Argumento fraco, se alguém parar pra olhar em quem são os aliados de Serra. De qualquer forma, o que Serra está fazendo não é diferente. Se Lula era antes uma ameaça à economia, com a prevista fuga de empresários do país, agora Dilma é acusada de ser uma ameaça à democracia. Tentaram já insinuar isso por sua luta durante a ditadura, o que não colou. Mas buscava-se desde o início, como antes, conquistar o povo pelo medo.

Entretanto, o momento de 1989 é muito diferente de hoje. O Brasil saía do impopular governo de Sarney, com a inflação galopante e um desejo de mudanças reais, mas responsáveis. A tática do medo foi então eficaz. Ela foi empreendida novamente em 2002, com toda a especulação financeira no temor da eleição de Lula. Desta vez, o atual presidente se comportou como a mudança necessária e, mais do que tudo, responsável, para substituir o também impopular governo da época de FHC. Assim, o terrorismo midiático e antidemocrático só serviu para assustar os investidores, e não os eleitores, que enfim elegeram Lula.

Em 2005, no auge do escândalo do “mensalão”, a democracia brasileira entrou em risco. Mesmo na falta de provas que ligassem o presidente Lula aos esquemas de corrupção, a oposição do PSDB e PFL (agora DEM) sugeriu o impeachment do presidente, assim como o que ocorreu com Collor. Seria um enorme retrocesso, uma derrota para a democracia, mas era a arma que a oposição queria usar, sem ainda aceitar a derrota de 2002. Só não contavam com a popularidade do presidente. Com o mínimo de sensatez, percebeu-se que derrubar o presidente soaria como um golpe, abalando as instituições ainda frágeis da democracia brasileira. Portanto, seria melhor vencê-lo nas urnas.

Em 2006, havia de fato certa insatisfação com os escândalos do governo, mas também uma consciência de que isso sempre ocorreu. Os avanços socioeconômicos eram maiores do que isso, e o clima era de continuidade. Alheia a isso, a campanha de Alckmin atacou tanto Lula e o PT pelos casos de corrupção que a população solidarizou-se com o presidente, que introduziu mudanças reais na vida de tantos. Consequentemente, Alckmin conseguiu a incrível façanha de ter menos votos no 2º turno do que no 1º.

Hoje, em 2010, Serra não para de cair nas pesquisas, enquanto Dilma caminha a passos largos para a vitória no 1º turno. Ciente de que é sua última chance de ser presidente, sua campanha deu um ataque de desespero: entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral pela cassação da candidatura de Dilma. Alega que a petista quis investigar ilegalmente pessoas associadas a ele por medo de sua vitória.

É um verdadeiro desvario acreditar que alguém com mais de 20 pontos de vantagem nas pesquisas teria medo de que o outro candidato vencesse e, portanto, cometeria atos ilegais pra tentar prejudicar este candidato. É óbvio que a quebra de sigilo dos dados fiscais da filha de Serra só beneficia ele. Coloca-se assim como vítima, perseguido, e acusa Dilma de ser antidemocrática, quando ele busca desesperadamente a vitória a qualquer custo, mesmo que seja derrubando a candidatura do PT na justiça eleitoral, não nos votos, desrespeitando a vontade do povo. Muito “democrático” de sua parte.

É evidente que se Dilma estivesse mesmo envolvida no caso, ela deveria ser punida. Todavia, o pedido de cassação é feito sem provas, apenas para fazer barulho, evocar o medo e exaltar o golpismo. Um surto totalitário, que não aceita a derrota e não aprende com os erros. O pior é que não vai funcionar. A população brasileira esperava da campanha eleitoral deste ano a troca de ideias de como continuar a melhorar o país, não havia um anseio por ataques e escândalos, mas de ver o caminho certo ser mantido, o que a campanha de Dilma ilustra bem, com seus modernos videos e imagens de alta qualidade que consagram o otimismo, ou quem sabe até o ufanismo. A oposição do PSDB e DEM ainda teima em não conhecer o Brasil e deu mais um tiro no pé.

Os eleitores não vão se solidarizar com Serra, pelo contrário: ele será recriminado pelo tom para o qual quer levar a campanha. Assim, deve cair mais ainda nas pesquisas e, quem sabe, ajudar a campanha de Marina a apresentar-se como verdadeira alternativa. Serra pode estar indo de uma derrota legítima a um fracasso vergonhoso.