quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dunga x Rede Globo

O grande destaque do fim de semana não foi a vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, e sim o impasse de Dunga com o jornalista da Rede Globo, Alex Escobar, envolvendo alguns palavrões do treinador nem tanto em "off". Na mesma noite, Tadeu Schmidt, no Fantástico, criticou em tom de editorial a postura do técnico da Seleção, dizendo que a emissora estava do lado da seleção, independente de seu comandante.

Quem está certo nessa história? É claro que não é correto se estressar com a imprensa e ficar fazendo sarcasmo, xingando, etc. Mas convenhamos: qual é a postura da Rede Globo nessa história?

Não é necessário dizer que a imprensa em geral tem atacado o Dunga desde que virou técnico. Na verdade, ele já tinha sofrido com isso quando jogador, o que explica o seu pé atrás com a mídia, mas isso é outra história. Sim, todos nós já criticamos ele, seja por seus resultados iniciais, seja por sua cabeça dura, em especial na convocação para a Copa. Mas é inegável que tenha sido bem-sucedido. Venceu a Copa América, a Copa das Confederações, e conseguiu a classificação para a Copa em 1º lugar. Ainda assim, quem já assistiu a uma coletiva de imprensa provavelmente viu a agressividade das "perguntas" de alguns jornalistas, demonstrando pouco ou nenhum respeito pelo técnico da Seleção.

O caso da Rede Globo vai além. Maior emissora nacional, ela crê em naturais privilégios para cobrir a Seleção, assim como os teve em 2006. Um espetáculo de cobertura, entrevistas exclusivas com o quarteto mágico, tudo com um resultado: vexame. Dunga foi contratado em seguida justamente por sua fama de durão, de jogar com raça e nada de estrelismos. A Seleção precisava de cara nova, descer do salto. E foi o que fez. Quem não o fez foi a Globo.

Há uma indignação da emissora com Dunga em razão dos treinos fechados, a falta de entrevistas exclusivas, nada de privilégios, nada de agrados. Este sentimento, explicam seus jornalistas, é porque "o povo quer saber". Mas quer mesmo? O povo quer que a Seleção jogue bem, bonito, com raça e, principalmente, que vença todos os jogos pra conquistar o Hexa. Só. O resto é resto.

É importante ressaltar quem representa quem nessa história. Queiram ou não, a Seleção representa a nação brasileira. Podem até jogar por interesses pessoais como fama, sucesso, ou até esquecerem por que estão ali. Mas ainda jogam sob a nossa bandeira. E a Globo? Oras, ela representa a si mesma. Seu único interesse é lucro.

Portanto, nesse embate, o povo ficou ao lado da Seleção. Depois do "Cala a Boca, Galvão", veio o "Cala a Boca, Tadeu Schmidt", logo se tornando o tópico mais comentado no Twitter. Derrotada, a Globo recuou. E que sirva de exemplo. Sem negar a importância da imprensa, ainda mais livre, a mídia corporativa, o "Quarto Poder", não representa uma sociedade, e muito menos fala por ela. Move-se por seus próprios interesses: poder e dinheiro. Nada mais.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Copa do Mundo é Nossa!

Faltando pouco tempo para o primeiro jogo do Brasil na Copa, venho por meio desta assegurar que não abandonei o blog. Sabe como é, férias, Copa, vai tudo acumulando.

E que Copa mais sem gols! Me ferrei no Bolão. Tudo time retranqueiro, com medo de se soltar. Tirando a Alemanha. Ah, a Alemanha... mas enfim, a questão é: o que é tão fascinante na Copa do Mundo? Pra responder isso, seria preciso definir primeiro por que o futebol é fascinante, e isso é outro papo.

O que gosto tanto na Copa é a união que ela proporciona. Eu nunca fui a uma (ainda!), mas pude testemunhar a Eurocopa de 2004 em Portugal. Era incrível ver pelos bares, dia e noite, torcedores de diferentes países e línguas celebrando, bebendo e dançando. E quem disse que não se entendiam? A alegria é uma língua universal, e um sorriso independe de gramática. Festa na Torre de Babel.

Naturalmente, eu torço pelo Brasil. Chorei em 94, chorei mais ainda (será?) em 2002. Que nem uma criança. Nacionalismo, patriotismo, ismos do tipo? Nem é tanto. Me emociono porque vejo 190 milhões, alguns destes bem próximos, depositando tantas esperanças em apenas 11 indivíduos em um campo de batalha, como se a vida deles dependesse disso. Não depende, mas faz a gente sonhar.

É difícil de explicar isso, mas relato o que ocorreu em 2002. A TV exibiu comemorações da conquista do penta ao redor do mundo. O primeiro país foi o Haiti, e era possível ver pessoas pulando e chorando de alegria, como eu e muitos outros por aqui. Parecia insensato, nem brasileiros eram! O repórter perguntou a um homem então por que tanta emoção com a vitória brasileira. O alegre entrevistado disse: "O Brasil é um país pobre como o nosso, e vencer os países ricos na Copa do Mundo nos dá esperança de que podemos ser melhores do que eles em outras coisas também". Caí em prantos. Como um simples jogo de futebol tem tanta magia, tanto poder? Chorei de emoção, de orgulho, como se eu fizesse parte daquele time. E sou.

Nesta Copa, no ônibus da Seleção está escrito: "Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!". Não podia ser verdade maior. Mas eu diria que não só o Brasil, há muitos mais ali dentro, todos aqueles que podem sonhar, seja qual for o sonho. Sonhemos mais uma vez, então. Avante, Brasil! Rumo ao Hexa!